A exposição de Sophie Calle, que vai até amanhã, domingo, no MAM, suscitou um poema que o Programa Soterópolis, da TVE, me encomendou.
Sérgio Rivero
A exposição de Sophie Calle, que vai até amanhã, domingo, no MAM, suscitou um poema que o Programa Soterópolis, da TVE, me encomendou.
Sérgio Rivero
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Uma cena cotidiana, que certamente se repete todos os finais de semana em inúmeras igrejas da cidade, me chamou atenção. Ao passar pelo Terreiro de Jesus, reparei que um automóvel estacionado defronte da Catedral Basílica atraía a atenção de todos. Nenhuma novidade, era mais uma noiva se preparando para adentrar a igreja e iniciar um novo ciclo em sua vida.
O que prendeu minha atenção foi a diversidade de pessoas que pararam para acompanhar o momento da vida de alguém que provavelmente nunca viram ou tiveram qualquer contato. Vários grupos de turistas que transitavam pela praça pararam, olharam o carro, espiavam o vai-e-vem da equipe de fotógrafos que registrava a cerimônia tão especial na vida daquela noiva.
Alguns turistas estrangeiros não conseguiam conter a curiosidade, havia um senhor que, por um instante, parecia até que iria entrar no carro – tamanha a sua curiosidade em registrar o momento com sua câmera… Outros insistiam em entrar na igreja… A equipe do cerimonial, incansavelmente, explicava tratar-se de uma cerimônia particular e que não era permitido o acesso naquele momento… Insistentes, eles se perfilavam na entrada da igreja esperando o grande momento…
De repente, um casal saiu do interior da igreja e passou a chamar a minha atenção. Celular na mão e meio confuso, o homem pedia a alguém do outro lado da linha algum tipo de informação. Neste momento, o jovem senhor que conduzia o veículo da noiva saiu do carro e conversou por alguns instantes com o casal e fez gestos em direção a igreja de São Francisco do outro lado do Terreiro. O casal (ela chamava atenção pelo sapato com seu salto extremamente fino e o companheiro a auxiliava a manter o equilíbrio) saiu em passos largos para a igreja certa….. Ainda bem que perceberam que aqueles convidados não tinham um rosto familiar antes da cerimônia iniciar, imagina que susto não levariam ao ver outra noiva adentrando a igreja.
Personagens que diariamente compõem o cenário do Terreiro de Jesus (pedintes, vendedores, “loucos”, etc) paravam para conversar com as pessoas e os turistas que se aglomeravam – alguns reagiam com naturalidade, outros se assustavam com os pedidos ou os comentários que eram inusitados – um verdadeiro campo de observação que seviria de tese para antropólogos e sociólogos de plantão.
De tudo aconteceu naquela entrada tão aguardada por todos, onde a noiva se tornou uma ilustre famosa para uma platéia de tantos desconhecidos. Certamente, estas cenas não puderam ser assistidas pelos verdadeiros convidados que aguardavam ansiosos a entrada da noiva, provavelmente bem conhecida por todos lá presentes.
Que tal uma caminhada em um início de noite de sábado pelo centro histórico? Provavelmente, muitos personagens inusitados aparecerão no seu caminho.
Rosimeire Santos
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Nessa semana, um filme e uma peça de teatro muito interessantes……… E, nos dois… Mas ainda lembro de Canteiros de Rosa e a incluo tb… Três objetos artísticos que buscam… incluir…

Milk, de Gus Van Sant, sobre a vida do ativista gay americano Harvey Milk… Dos seus 40 aos 49 anos quando é assassinado, em 1978, com o brilhante Sean Penn no papel título… Um filme que, mais que o filme (embora seja um documentário que não perde uma pegada ficcional e por isso é muito bem sucedido) traz a perseverança (pelos direitos dos gays de viver em paz) como mote feliz de uma história que termina triste… Canteiros de Rosa que relativiza a loucura e por isso inclui os loucos na vida…
Foto de Marcio Lima
O olhar inventa o mundo… Uma pérola teatral, texto de Cacilda Póvoas e Felipe de Assis, com direção do último, concorrendo a 5 Brasken, divide com o público esse instante em que o artista vê o mundo, lê o mundo e, de posse de uma linguagem com que possa se expressar (no caso, a palavra poética), ‘instaura o novo’, já diria Etienne Souriau…
O mundo é de incluídos somente. A gente precisa, na boa, aceitar isso.
Sérgio Cerviño Rivero
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Estes dias estive as voltas com a organização das fotografias que foram produzidas durante a exibição do espetáculo Terreiro d’Yesu.

Imagem projeta na Igreja S. Pedro dos Clérigos/ foto: Salete Maso
Estas imagens fazem parte de um vasto Memorial que inclui fotografias e vídeos produzidos para a Citéluz, empresa responsável pela execução do Projeto.

Fonte de Oxum, ao fundo projeção na Igreja de S. Pedro/ foto Salete Maso
Selecionei algumas imagens para compartilhar com todos que nos acompanham.

Imagem projetada na Catedral Basílica/ foto Salete Maso
Rosimeire Santos
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Foto de Carol Garcia
Ontem fui rever Canteiros de Rosa (não resisti e fiquei pras duas sessões!!), peça teatral do Grupo Vilavox, com texto de Gordo Neto e direção de Jacyan Castilho. Baseada em três contos do livro Primeiras Estórias (Sorôco, sua mãe, sua filha; Darandina e A menina de lá), de Guimarães Rosa, a peça é um exemplo bem preciso, para mim, da sofisticação que a linguagem teatral pode apresentar em sua busca pelo diálogo com o imaginário humano. Canteiros deixa muito explicitamente claro esse deslavado, escancarado, desavergonhado e mágico acordo tácito entre espectador e palco… Outros exemplos que me vêm e que me trazem essa verdade… um, é o trabalho de manipulação de mãos, com bonecos, do grupo paranaense Tato Criação Cênica com as peças E se (salve Gordo que lá estava, no Gamboa Nova, num dia do FIAC) e Tropeço. Os manipuladores estão atrás dos bonecos, vestidos de preto, mas estão presentes, no entanto, desaparecem, ou melhor, quando assim querem… Outro é a leitura de Marcio Meirelles em Sonhos de uma noite de verão, de Shakespeare, e os atores sentadinhos ao lado do palco esperando, sob os olhos da platéia hipnotizada, sua vez de entrar em cena… Assim como Canteiros se constrói (literalmente) sobre andaimes, sobre sons que substituem a realidade dos sons (no caso do trem, no caso dos mugidos, no canto que ecoa de uma garganta imóvel e louca (?)…), sobre uma trilha sonora que, assim como as palavras do texto, sugerem frases, continuidades sonoras a serem complementadas pelo espectador com sua voz da imaginação… Engraçado, fala-se em interatividade nas novas mídias e percebo Canteiros construído sobre uma tradição e tão interativo com o espectador… Seus três narradores iniciais (que vêm ‘oferecer’ cada história numa bandeja de ouro) nos propõem uma ‘pisada no freio da vida’, falam do tempo que assola, que invade o sonho da vida como um trator, e tb falam dos caminhos pretendidos, mas nem sempre possíveis… A partir daí, as histórias descortinam-se alternando narrações e diálogos… como se nos dissessem… “isso é texto dramático, aquele outro, no livro, é narrativo, mas fazemos a mesma coisa, contar pra vc uma história”… Interativo porque ao pedir um freio na loucura do tempo, ainda trazem as palavras numa medida sóbria e confortável para que “meu acervo pessoal possa se expressar”… No documentário brasileiro Janela da Alma, o diretor de cinema Win Wenders traz essa mensagem… a necessidade do silêncio para fluir nossa porção autoral no mundo, ou ainda, Jean Claude Carrière apontando silêncios nas linguagens, em A linguagem secreta do cinema… Eis a interatividade (eu me respondo internamente à peça e devolvo ‘minha peça’ em energia criativa para os atores), daí… eis o poder de fogo do teatro possibilitando imersão… Andaime vira trem, vira árvore, os tantos planos da cena, os espaços do palco principal do TVV viram Minas Gerais montanhosa, BH… O ator vira galinha e esperneia a cada pena arrancada… e os outros atores são bois tangidos pelo pastor… E tudo está ali arrumado… Interativo, imersivo, intenso… propondo multilinhas de entendimento… De início, em Sorôco, a história vem pelas tantas vozes da cidade que nos preparam para o cortejo rápido, das duas loucas, ao fim… E, ainda, a memória vem pelos corredores do Vila, perfazendo um outro plano físico em que a imaginação se exponha… Em Darandina a loucura vem de cima da árvore/andaime e vai contaminando a população que corre… sempre na dúvida… Linda a câmera lenta num dado momento, freando o frenético… Em A menina de lá, a afetividade do encontro de Nhinhinha com o tio, o cotidiano vem repetido em dois momentos… uma seqüência de dois dias de visita em poucos minutos cola na minha imaginação como tatuagem… Enfim, em constante e despojada brincadeira com as linguagens disponíveis no mundo, e com o bom senso que coordena uma dinâmica impecável, Canteiros tb me diz que no diálogo entre linguagens não existe proibição… Se Gordo Neto acrescenta texto ao texto, também foi contaminado pelo espaço interativo que Rosa lhe deixou… Vestiu-se de co-autor como sempre cabe ao leitor atento… Assim, Gordo sabe que a população da pequena cidade sabe dos fatos que cercam a estranha família de loucos (Sorôco fica louco?), assim como encontra para a filha de Sorôco, numa aventura amorosa, uma razão para enlouquecer… Depois, Gordo bota a oralidade em versos, em Darandina, como um reflexo da própria tessitura e ritmo da narrativa original sob a forma de conto. Depois, ainda, Gordo prevê a menina milagreira atraindo o povo que lhe vem na carência de uma ajuda… O texto que vem sobre o texto, vem na medida do próprio texto que Gordo retira cuidadosamente da narrativa original… Pois… fica parecendo que tudo saiu dos contos de Rosa… Tamanha reverência ao universo do escritor entra em acordo com tamanha reverência a esse espaço necessário para o leitor criar junto…

Foto de Carol Garcia
Se a linguagem de Rosa não está presente o tempo todo na peça, como poderia ser o esperado, está lá presente a ‘espacialidade reserva’ que o texto original e as palavras propiciam – um esgarçamento da trama e da linguagem metafórica abrindo espaços – e que inclui, a meu ver, o trabalho/fruto de uma capacidade imaginativa do espectador que assiste a uma peça teatral e que pode, ou não, ser convocado pelo texto e direção, a um novo momento criativo e único em sua vida … Como se fosse trocada a ‘fidelidade ao texto original’ pela co-criação, ou ainda, trocada pela fidelidade ao texto criado por cada um no seu tempo real de contato com a história que acontece ali… O que sempre me reafirma que, em arte, a ‘deformação’ é sempre necessária. De ‘desgosto’ por Canteiros, Jacyan, me fica o silêncio imperdoável da mídia cultural baiana (promoção, cuidado e zêlo cultural só são cobrados do Estado?) e ainda não ver a peça viajando por todo o Brasil, interiores e capitais, e exterior, claro, pois que o mundo precisa desses Canteiros de Rosa… Finalizo destacando a síntese do amarelo da lona do chão e dos andaimes… uma sutileza fina para dar conta do cenário sertanejo e, ao mesmo tempo, de uma proposta que não se faz sozinha, mas em construção: obra, labor de quem faz, no palco e na platéia.

Foto de Carol Garcia
Na próxima terça, dia 10/03, inicio com meus alunos de Letras, da UNIME, o trabalho Literatura e Linguagens e Canteiros abre as portas para essa preciosa discussão. Começo com o pé direitíssimo esse semestre acadêmico.
Sérgio Cerviño Rivero
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| SOBRE O MEU CARNAVAL ESSE ANO
Bom, aqui vai um textinho sobre o meu carnaval em Salvador esse ano.
Valeu Vince, Beto, Seco, Mangaio, Emanuel, Tio Bill e também Russo, Dudu, Raiz, enfim, toda a galera do Ministério Público Sound System, fizemos história no Carnaval. Ainda bem que foi tudo filmado ; ))) Quando rolar um video dá um toque aí para eu postar aqui.
A última vez que havia participado do carnaval de Salvador foi em 2005, quando o Cortejo Afro, o mais novo bloco afro de lá, convidou Matthew Barney, artista plástico americano mundialmente renomado, casado com a Bjork (que também estava presente no Cortejo) para ser uma espécie de carnavalesco e bolar uma saída do bloco. Esse bloco foi puxado por um Trio elétrico, e em cima dele Arto Lindsay, Kassin, Melvin Gibbs, dentre outros tocavam os mais diversos sons e ritmos. Foi inesquecível! Desde então havia perdido o tesão de ir a Salvador pular Carnaval. Para mim, que moro no Rio, as imagens e sons que vinham de Salvador através da mídia, e sobretudo da televisão não me empolgavam para participar do Carnaval de lá. Ficava cada vez mais com a impressão de que a proliferação dos camarotes e da cobertura de TVs ao vivo tinham transformado o Carnaval de Salvador em um desfile-espetáculo feito para TV, assim como é o Sambódromo no Rio. Ainda acho tudo que disse acima, mas pulando nas ruas de Salvador esse ano me surpreendi com a variedade de sons que rolaram em cima dos Trios Elétricos por lá. Vou citar alguns nomes: Tinha um trio da Skol que saiu com dois DJs gringos tocando house. Esse bloco tinha 90% de gringos e na concentração dele só dava para ouvir outras línguas, nunca o Português. Nunca tinha visto isso lá. Afrika Bambatta também seria uma das atrações, mas por motivo de saúde cancelou a apresentação na última hora não só em Salvador mas no Rec beat, em Recife, também. Por falar nisso, conversando com amigos lá, chegamos a conclusão de que por conta do império da Axé music, que é extremamente organizado e profissional, a diversidade do Carnaval de Salvador não é divulgada para o resto do Brasil. Para todos, inclusive eu, como disse no começo, a impressão que fica é que lá só rola Ivete, Daniela,Chiclete, Asa de Aguia etc. Por não ter uma indústria como a do Axé sufocando tudo, o carnaval de Pernambuco consegue se “vender” como um Carnaval da diversidade. E de fato o é. Mas aos poucos isso pode estar mudando. Numa enquete feita pelo principal jornal de Salvador, na quarta-feira de cinzas, a resposta para a pergunta: “Qual foi o ponto alto do carnaval 2009 em Salvador?”, a resposta que ganhou foi os “60 anos do Afoxé Filhos de Gandhy”. Em segundo lugar ficou “a grande quantidade de trios independentes”, onde não tem corda, nem abadá, e onde os nomes citados acima se apresentaram. Em terceiro lugar a “maior diversidade musical”. Foi demais pular nas ruas com os amigos, sem violência, cantando e dançando todo tipo de música. Fiquei tão feliz que fiz até um frevo cujo refrão é: Quem sabe ano que vem Salvador inteira não estará cantando ; )))) Lucas Santtana
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Quero agradecer ao Blog do Teatro Vila Velha por hospedar uma reflexão minha sobre o termo “opaização”… Valeu, gente!!! E aproveito, agora, para refletir sobre a proposta que o Vila e o Teatro da Gamboa fazem ao público com a promoção PQQ (Pague quanto quiser)… Essa iniciativa me faz pensar muito sobre as estratégias para que as pessoas acessem o que se faz de cultura numa cidade… Mas, olha, tenho minhas dúvidas se valores baixos ou iniciativas ‘de grátis’ levem as pessoas à cultura… ou formem platéia… Acho legal, aí nessa proposta, ‘trabalhar’ com as pessoas o que os processos terapêuticos (na relação analista x analisando) também trabalham… há um valor em jogo, pode ser o valor que eu dimensione para aquele produto cultural, mas há um valor a ser dado… Essa discussão também está muito ligada ao objeto livro… Quando cheguei na Bahia, em 97, trabalhei por um ano na DILED/FUNCEB secretariando o Selo Editorial Letras da Bahia… Discutia-se muito se o livro resultado daquela seleção deveria ser vendido ou doado… Concordo que há um valor e que o livro deva ser vendido mesmo, afinal, é um produto industrial e fruto de labor de muita gente que cerca o trânsito do livro… Sem dúvida, pensar nesse ‘valor da cultura’ é para mim pensar também no acesso das pessoas à cultura, mas, mais do que pensar no preço como algo que estimule ou não alguém a acessar determinado produto cultural, sinto que há mesmo que se fazer, via educação, meios de proporcionar às novas gerações contatos diversos com o banquete cultural das linguagens, sem triagem, para que a escolha se faça pela identificação.
Quando trabalhava nas Faculdades Jorge Amado, participei de um grupo de pesquisa chamado Humanidades… A idéia era pensar num curso de graduação, numa grade curricular construída sobre a cultura, sobre a efervescência de determinadas disciplinas que colocam o ser humano pra pensar, tipo filosofia, arte, literatura (existem teorias que não incluem a literatura na definição de arte, propriamente)… Essa proposta vinha sendo discutida pelo filósofo Renato Janine Ribeiro, na USP… O Renato veio a Salvador, num determinado momento, para se reunir com o grupo e trouxe uma definição de cultura que me faz pensar muito, muito… “Cultura é tudo aquilo que te transforma”… Apesar de achar que esse conceito pode sugerir um certo sectarismo, acho que é por aí mesmo… Sem identificação, nada feito… Sem que aquilo ‘arrepie os pelos da nuca’ não rola não… Então… No momento em estou envolvido, pela SECULT, junto com a Fundação Pedro Calmon, na organização da Bienal, esse assunto também surge com força… Como incluir o Livro no acervo cultural das pessoas? Outra polêmica e desafio… Como negar que essa mídia talvez esteja ‘batendo pino’ como objeto cultural? Como negar que o leitor mudou na sua relação com um objeto que continua o mesmo há alguns séculos?… Há um texto bem legal que traz algumas reflexões sobre isso… É o ‘A leitura fora do livro’, de Lucia Santaella (http://www.pucsp.br/pos/cos/epe/mostra/santaell.htm)
Gosto mesmo de ler esse texto com meus alunos em toda primeira aula de semestre… Pois a partir dele identificamos questões e falamos das dificuldades com o meio e do desafio que temos pela frente de ‘ler’ o texto literário, afinal, imagino que um aluno de Letras e/ou Jornalismo deverá ser um leitor tecnicamente diferenciado dos outros…
Mas, volto à cultura, ao valor dela, ao acesso, principalmente, e me vem uma publicação muito interessante que fui ler essa semana. Trata-se do Informativo da SECULT, INFOCULTURA, número 3, coordenado por Carlota Gottschall, com o título: Carnaval de Salvador: perfil das entidades e participação dos metropolitanos. Simplesmente incrível! Fiquei pasmo…
Vc sabia, caro leitor, que apenas 14% dos soteropolitanos brincou no Carnaval em 2008? E tem mais… 66% não foi à festa e 15% viajou, ou seja, 81% não ficou pra ver Ivete…
Vc sabia tb que 60,6% da população, composto das pessoas pobres, frequenta os blocos de Matriz Africana, seguidos dos blocos de percussão e travestidos?
Sabia que os 6,7% da população, compostos de pessoas ricas ou de classe média alta frequenta os trios? Saber a gente sabe… A pesquisa, além de trazer dados novos, confirmou cientificamente uma verdade que serviu para munciar a SECULT para organizar esse carnaval de 2009.
Puxa, olha, gostaria imensamente que a imprensa e a sociedade civil tivessem acesso a esse documento para entender o que a Secretaria de Cultura do Estado realizou nesse carnaval… Daí porque o alto investimento sobre os blocos de matriz africana (por razões óbvias, pela assunção de uma identidade necessária e inadiável), os trios independentes, sem cordas, para atrair o percentual ausente do carnaval (por várias razões) e aqueles que não têm dinheiro para bancar um abadá, mas merecem o divertimento como qualquer um. Finalmente, acho legal a experimentação de outras tendências culturais que podem, por que não (?), estar sobre um trio interagindo com a população. A SECULT, pra mim, é extremamente coerente com seus propósitos de buscar e difundir a diversidade cultural que o Estado da Bahia apresenta e, claro, promover o acesso da maior parte de sua população. Agora, agradar a todo mundo… essa é uma outríssima história…
Sérgio Cerviño Rivero
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Sérgio,
concordo plenamente com você. Não vejo, também, uma “opaização” – se é que estou entendendo o termo. A questão de determinados “debates” é que gente elitista, que gosta de falar em nome do povo, adora coisa chata, sem humor, sem alegria, sem beleza. O que apenas essa gente consegue assistir é que é bom; o que o povo assiste, entende e se emociona é de qualidade duvidosa. Sempre foi assim.
O espetáculo é lindo, emocionante. Levei os meus alunos (estudantes de letras na Uneb – Campus II) e eles fizeram comentários surpreendentes. Talvez esses comentários não interessem ao academicismo de muitos. É o senso comum que está dizendo, não vale. Mas essa voz precisa ser ouvida, em especial por nós da academia. Estamos muito distantes dessa troca. Nos isolamos em nossas salas e nos comitezinhos de finais de semana. É preciso “botar voz na boca de quem não tem voz”.
Muitos ficam incomodados com isso. Têm medo de dividir o poder da fala.
“Ó, paí, ó”, os caras querendo ir de encontro à massa. Vá sacana…
Silvio Carvalho – professor e compositor (www.myspace.com/mardehistorias)
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Fabiano Xavier, Diretor de Projeto do Terreiro, faz uma discussão muito interessante em seu Blog (www.myspace.com/fabianoxavier) e eu puxo a sardinha pra cá e continuo…
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Terreiro d’Yesu terminou ontem. Fui lá ver as duas últimas sessões na companhia do diretor Fernando Guerreiro, do assistente de direção Edvard Neto, dos produtores Felipe de Assis e Alex Lucena. “Casa” cheia, o espetáculo encerra sua temporada de maneira silenciosa, tal como entrou em cartaz. Não consigo deixar de achar decepcionante a crítica na Bahia. Mas, esse Blog continua… ‘Além do Terreiro’ pretende continuar com um tema… Que outras iniciativas têm sido feitas no sentido de contribuir para a assunção de uma cultura tão cara à identidade do povo baiano? Vou contando mais sobre a ‘peça’ ainda e depois vamos adiante…
Sérgio Cerviño Rivero
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