Marcio Meirelles me pediu um texto político-poético tendo como personagens seis monumentos históricos (três igrejas, uma faculdade), um reduto da boemia baiana (Cantina da Lua) e uma fonte. A indicação de ‘personagens’ deixava claro que ele pensava em algo diferenciado do usual entre espetáculos de Som&Luz (com uma pegada mais documentária), normalmente construídos sobre locução de um narrador, além das imagens e luzes projetadas. A idéia era mesmo construir uma dramaturgia.

De início, num primeiro roteiro, quis logo incluir um personagem humano negro, o Nêgo da Carrinha. Pensando num texto político e com os poderes, eclesiástico e acadêmico, ali tão bem instituídos arquitetonicamente, não me veio outra idéia senão desenvolver, basicamente, um confronto dialógico entre Nêgo, as igrejas e a faculdade.
A fonte também me veio como a orixá Oxum, uma referência às suas águas e à própria fonte original reverenciando Ceres, a deusa grega da fertilidade.
Fiz um primeiro roteiro mais poético que político. Nele, entre outras peripécias, a lua descia do céu para iluminar a verdade… Depois de duas reuniões com a equipe que se formava, em suas várias áreas (imagem, trilha sonora, direção, produção), percebi que esse primeiro texto fugia de uma proposta mais direta, objetivado para um espetáculo na rua, um ‘teatro de rua’ a ser ‘encenado’ num espaço de intensa tradição popular como o Terreiro de Jesus é, um espetáculo financiado pelo estado, gratuito e, portanto, aberto a pessoas das mais variadas culturas. Então, voltei pra casa e mudei muita coisa…
Sérgio Cerviño Rivero





Vou tentar postar umas fotos mais tarde.
Tive a oportunidade de assistir recentemente o “Terreiro de Yesu” um espetáculo de som e luz.
Um espetáculo diferente em vários aspectos, primeiro, por não ter atores em cena, segundo, por ser encenado ao ar livre, terceiro, por usar recursos de som e iluminação para contar uma história, quarto, por que os monumentos históricos são usados como personagens e telas para projeção do som e da luz e por fim, pelo tema discutido, o centro histórico de Salvador, mais precisamente o Pelourinho.
Lugar de grandes histórias, cantado em prosas e versos por Castro Alves, Gregório de Matos, descrito tão bem nos livros de Jorge Amado, lugar ímpar, que simboliza a Bahia, representa na prática a hospitalidade baiana e sua força.
Falar do Pelourinho é falar da mistura, da cultura, da beleza, das religiões Católica e Africana que lá convivem de forma harmoniosa.
Fiquei impressionada com a qualidade das imagens projetadas e do som, um espetáculo que mexe com nossos sentidos, mexe com nossa emoção, impossível não se sentir daqui, desse lugar, não ter orgulho de ser daqui desse lugar.
Projetos como esse tem que ser viabilizados, tornando a cultura mais acessível e trazendo assuntos de interesse comum para serem discutidos.
Norma Menezes