| SOBRE O MEU CARNAVAL ESSE ANO
Bom, aqui vai um textinho sobre o meu carnaval em Salvador esse ano.
Valeu Vince, Beto, Seco, Mangaio, Emanuel, Tio Bill e também Russo, Dudu, Raiz, enfim, toda a galera do Ministério Público Sound System, fizemos história no Carnaval. Ainda bem que foi tudo filmado ; ))) Quando rolar um video dá um toque aí para eu postar aqui.
A última vez que havia participado do carnaval de Salvador foi em 2005, quando o Cortejo Afro, o mais novo bloco afro de lá, convidou Matthew Barney, artista plástico americano mundialmente renomado, casado com a Bjork (que também estava presente no Cortejo) para ser uma espécie de carnavalesco e bolar uma saída do bloco. Esse bloco foi puxado por um Trio elétrico, e em cima dele Arto Lindsay, Kassin, Melvin Gibbs, dentre outros tocavam os mais diversos sons e ritmos. Foi inesquecível! Desde então havia perdido o tesão de ir a Salvador pular Carnaval. Para mim, que moro no Rio, as imagens e sons que vinham de Salvador através da mídia, e sobretudo da televisão não me empolgavam para participar do Carnaval de lá. Ficava cada vez mais com a impressão de que a proliferação dos camarotes e da cobertura de TVs ao vivo tinham transformado o Carnaval de Salvador em um desfile-espetáculo feito para TV, assim como é o Sambódromo no Rio. Ainda acho tudo que disse acima, mas pulando nas ruas de Salvador esse ano me surpreendi com a variedade de sons que rolaram em cima dos Trios Elétricos por lá. Vou citar alguns nomes: Tinha um trio da Skol que saiu com dois DJs gringos tocando house. Esse bloco tinha 90% de gringos e na concentração dele só dava para ouvir outras línguas, nunca o Português. Nunca tinha visto isso lá. Afrika Bambatta também seria uma das atrações, mas por motivo de saúde cancelou a apresentação na última hora não só em Salvador mas no Rec beat, em Recife, também. Por falar nisso, conversando com amigos lá, chegamos a conclusão de que por conta do império da Axé music, que é extremamente organizado e profissional, a diversidade do Carnaval de Salvador não é divulgada para o resto do Brasil. Para todos, inclusive eu, como disse no começo, a impressão que fica é que lá só rola Ivete, Daniela,Chiclete, Asa de Aguia etc. Por não ter uma indústria como a do Axé sufocando tudo, o carnaval de Pernambuco consegue se “vender” como um Carnaval da diversidade. E de fato o é. Mas aos poucos isso pode estar mudando. Numa enquete feita pelo principal jornal de Salvador, na quarta-feira de cinzas, a resposta para a pergunta: “Qual foi o ponto alto do carnaval 2009 em Salvador?”, a resposta que ganhou foi os “60 anos do Afoxé Filhos de Gandhy”. Em segundo lugar ficou “a grande quantidade de trios independentes”, onde não tem corda, nem abadá, e onde os nomes citados acima se apresentaram. Em terceiro lugar a “maior diversidade musical”. Foi demais pular nas ruas com os amigos, sem violência, cantando e dançando todo tipo de música. Fiquei tão feliz que fiz até um frevo cujo refrão é: Quem sabe ano que vem Salvador inteira não estará cantando ; )))) Lucas Santtana
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