Uma cena cotidiana, que certamente se repete todos os finais de semana em inúmeras igrejas da cidade, me chamou atenção. Ao passar pelo Terreiro de Jesus, reparei que um automóvel estacionado defronte da Catedral Basílica atraía a atenção de todos. Nenhuma novidade, era mais uma noiva se preparando para adentrar a igreja e iniciar um novo ciclo em sua vida.
O que prendeu minha atenção foi a diversidade de pessoas que pararam para acompanhar o momento da vida de alguém que provavelmente nunca viram ou tiveram qualquer contato. Vários grupos de turistas que transitavam pela praça pararam, olharam o carro, espiavam o vai-e-vem da equipe de fotógrafos que registrava a cerimônia tão especial na vida daquela noiva.
Alguns turistas estrangeiros não conseguiam conter a curiosidade, havia um senhor que, por um instante, parecia até que iria entrar no carro – tamanha a sua curiosidade em registrar o momento com sua câmera… Outros insistiam em entrar na igreja… A equipe do cerimonial, incansavelmente, explicava tratar-se de uma cerimônia particular e que não era permitido o acesso naquele momento… Insistentes, eles se perfilavam na entrada da igreja esperando o grande momento…
De repente, um casal saiu do interior da igreja e passou a chamar a minha atenção. Celular na mão e meio confuso, o homem pedia a alguém do outro lado da linha algum tipo de informação. Neste momento, o jovem senhor que conduzia o veículo da noiva saiu do carro e conversou por alguns instantes com o casal e fez gestos em direção a igreja de São Francisco do outro lado do Terreiro. O casal (ela chamava atenção pelo sapato com seu salto extremamente fino e o companheiro a auxiliava a manter o equilíbrio) saiu em passos largos para a igreja certa….. Ainda bem que perceberam que aqueles convidados não tinham um rosto familiar antes da cerimônia iniciar, imagina que susto não levariam ao ver outra noiva adentrando a igreja.
Personagens que diariamente compõem o cenário do Terreiro de Jesus (pedintes, vendedores, “loucos”, etc) paravam para conversar com as pessoas e os turistas que se aglomeravam – alguns reagiam com naturalidade, outros se assustavam com os pedidos ou os comentários que eram inusitados – um verdadeiro campo de observação que seviria de tese para antropólogos e sociólogos de plantão.
De tudo aconteceu naquela entrada tão aguardada por todos, onde a noiva se tornou uma ilustre famosa para uma platéia de tantos desconhecidos. Certamente, estas cenas não puderam ser assistidas pelos verdadeiros convidados que aguardavam ansiosos a entrada da noiva, provavelmente bem conhecida por todos lá presentes.
Que tal uma caminhada em um início de noite de sábado pelo centro histórico? Provavelmente, muitos personagens inusitados aparecerão no seu caminho.
Rosimeire Santos




